Bolsa de valores vira e opera em queda; Nova York está em alta

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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A bolsa de valores opera em queda de 0,52%, aos 116.242,20 pontos nesta quarta-feira (31). Já os mercados americanos, que vivem a expectativa de um novo pacote de infraestrutura que será apresentado pelo presidente Joe Biden, estão em alta.

Por aqui, apesar do sentimento de instabilidade provocado pela reforma promovida por Jair Bolsonaro no alto escalão do governo e nas Forças Armadas, o mercado vem reagindo bem às mudanças. A bolsa fechou a terça-feira no positivo, com alta de 1,24%. Começou a quarta em alta, mas passou a cair por volta das 15h.

O Ibovespa abandonou as máximas registradas mais cedo, quando superou os 117 mil pontos, e luta para manter os 116 mil .

As notícias negativas do dia, que puxam a queda agora, segundo o BDM Online, incluem a fala de Bolsonaro, que voltou a criticar o distanciamento social; as dúvidas sobre o Orçamento, após o relator prometer cortar R$ 10 bilhões em emendas, que ainda não são suficientes para garantir o teto de gastos (faltam R$ 25 bilhões, segundo Rodrigo Maia); e 3) a descoberta de uma nova cepa do coronavírus em Sorocaba pelo Instituto Butantan, que se assemelha à cepa da África do Sul.

Segundo a consultoria política Arko Advice, o relator do orçamento de 2021, o senador Márcio Bittar (MDB-AC), acabou decidindo pelo cancelamento de R$ 10 bilhões em emendas.

De acordo com o BTG Pactual, a decisão foi comunicada ao presidente da República por meio de ofício enviado nesta quarta-feira. O documento diz que o cancelamento será feito assim que o Orçamento for sancionado. Os R$10 bilhões de emendas são parte dos R$ 13,5 bilhões retirados da previdência.

Mais cedo a leitura do mercado é de que a nova composição deve ajudar na aprovação das reformas e das privatizações no Congresso, já que foi aberto mais espaço ao Centrão.

Também pesou no bom humor do mercado o resultado do Caged de ontem, com criação recorde e surpreendente de  401.639 empregos com carteira assinada.

Pela manhã, foi a vez do IBGE informar a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), cuja taxa de desocupação ficou praticamente estável, em 14,2% no trimestre móvel de novembro de 2020 a janeiro de 2021, ante os 14,3% de agosto a outubro de 2020. No ano, entretanto, houve alta de 3 pontos percentuais.

Outro indicador, de Confiança Empresarial da FGV, apontou recuo de 5,6 pontos em março, chegando a 85,5 pontos. Este é o menor nível desde julho de 2020 e tem como causa o recrudescimento da pandemia. Todos os setores tiveram queda na confiança.

Paralelamente, seguem no Congresso as discussões quanto à correção do Orçamento de 2021, que subestimou despesas obrigatórias para acomodar emendas parlamentares. O ministro Paulo Guedes é um dos que pede a correção do projeto já aprovado pela casa, que chamou de “inexequível”.

Se o Orçamento for executado com manobras contábeis, Bolsonaro corre o risco de cometer crime de responsabilidade fiscal, passível de impeachment.

Diretor do Eurasia minimiza chance de impeachment

Segundo a Bloomberg, o diretor para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, avalia que o presidente Bolsonaro enfrenta o momento mais difícil de seu mandato. E que nas próximas semanas os números da pandemia devem render manchetes muito negativas a ele, com forte queda de sua popularidade.

No entanto, acredita Garman, a partir do final de abril e início de maio, a pandemia deve refluir, a exemplo do que ocorreu em Manaus. Sendo assim, a popularidade de Bolsonaro não cairia a um nível que amplie o risco de impeachment, como ocorreu com Dilma Roussef e Fernando Collor. Entretanto, ele aponta que a crise sanitária é, sim, o grande driver do momento. E que os ruídos de impeachment durarão enquanto a pandemia se prolongar.

Quanto às trocas do governo, a avaliação do diretor do Eurasia é positiva, com alinhamento do governo ao Centrão. E o risco institucional com a crise militar aberta ontem não é grave e mostra resistência das Forças Armadas, o que seria um sinal positivo. “As instituições estão ficando de pé”, afirmou.

Mercados no exterior

Os investidores aguardam atentos pelos detalhes do novo projeto de infraestrutura dos EUA, que será apresentado hoje por Joe Biden.

O pacote deve contemplar dez anos de investimentos e ter um custo total de cerca de US$ 3 trilhões.

Para cobrir os custos, deve haver aumento de impostos das empresas (de 21% para 28%) e para os cidadãos de alta renda (de 37% para 39,6%), especula a imprensa, com base em depoimentos de fontes que participaram do projeto.

Em abril, deve ser iniciada uma segunda fase do plano, com investimentos em saúde e educação.

A leitura é que, pós-pandemia, e com os pacotes de Biden, haverá um período de forte crescimento pela frente. A cautela fica por conta do temor da inflação, já que há vacinação acelerada (os EUA já vacinam maiores de 30 anos e, na próxima semana, os maiores de 16 anos), retomada do emprego e estímulos monetários ao mesmo tempo. O rendimento dos papéis do Tesouro vem apontando para o risco da inflação.

A pesquisa ADP, considerada uma prévia do payroll que sai na sexta-feira (2), apontou a criação de 517 mil vagas no setor privado americano em março. O resultado é bastante superior aos 176 mil de fevereiro (revisados de 117 mil), mas ficou abaixo da projeção de 550 mil vagas do mercado. Ainda assim, reforça a retomada do emprego naquele país.

O que mais é notícia:

  • O Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no quarto trimestre de 2020 foi de 1,3% na base mensal. Na base anual, o recuo do PIB foi de 7,3%. Apesar do tombo, a leitura é melhor do que a projeção de queda de 7,8%.
  • O Índice de Preços ao Consumidor da zona do euro subiu 0,9% em março, ante 0,2% de fevereiro, aponta prévia da Eurostat. Na comparação anual, a alta é de 1,3%, dentro das projeções.
  • A taxa de desemprego na Alemanha, economia mais forte da zona do euro, se manteve em 6% em março.

Veja as cotações às 15h45:

Mercados Nova York

  • S&P: +0,72%
  • Nasdaq: +1,83%
  • Dow Jones: +0,06%

Mercados Europa

  • DAX, Alemanha: -0,01%
  • FTSE, Reino Unido: -0,65%
  • CAC, França: -0,37%
  • FTSE MIB, Itália: +0,07%
  • Stoxx 600: -0,14%

Mercados Ásia

  • Nikkei, Japão: -0,86%
  • Xangai, China: -0,43%
  • HSI, Hong Kong: -0,70%
  • ASX 200, Australia: +0,78%
  • Kospi, Coreia: -0,28%

Petróleo

  • Brent (junho 2021): US$ 63,90 (-0,37%)
  • WTI (maio 2021): US$ 61,01 (+0,76%)

Ouro

  • Ouro futuro (junho 2021): US$ 1.704,20 (+1,08%)

Minério de ferro

  • Bolsa de Dalian: US$ 164,72 (-1,42%)