Bolsa acentua a queda e fica abaixo dos 97 mil pontos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
1

Crédito: Divulgação/B3

A bolsa brasileira opera em forte queda nesta quarta-feira (28). Perdeu os 100 mil pontos e estava, às 15h45, em 96.096,44 pontos, com queda de 3,64%.

O tombo vem em linha com o exterior, onde o coronavírus volta a assombrar e não há mais esperanças quanto a um possível pacote de ajuda antes das eleições de 3 de novembro.

No Brasil, o destaque fica por conta da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central quanto à taxa básica de juros, Selic. A aposta maior é pela manutenção em 2%, mas com indicações de que a Selic deve subir em breve, dado o cenário de retomada econômica, inflação em tendência de alta e risco fiscal.

BDRs| Confira os papéis disponíveis para Investimentos

Em Brasília, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a entrar em atrito com o governo federal. Ele criticou a base do governo por obstruir votações e mostrar desinteresse nas reformas.

Paralelamente, o presidente Jair Bolsonaro tenta conter brigas entre seus ministros. Ontem (27), ele convocou a equipe para um almoço, onde foi cobrado um “pacto de silêncio” de todos, evitando expor problemas internos. Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Luiz Eduardo Ramos, titular da Secretaria de Governo, que protagonizaram um atrito público na semana passada, não estavam presentes.

Temporada de balanços

A Gerdau (GGBR4) apresentou um lucro de R$ 795 milhões no terceiro trimestre. Isso representa uma alta de 175% na comparação anual em termos consolidados ou de 95% no critério ajustado.

Hoje, após o fechamento dos mercados, haverá a publicação dos balanços de Petrobras (PETR3 PETR4), Vale (VALE3), Bradesco (BBDC3 BBDC4), GPA-Pão de Açúcar (PCAR3) e Multiplan (MULT3).

Exterior

Os mercados futuros de Nova York e as bolsas europeias operam com queda acentuada, repercutindo o desânimo com o novo avanço do coronavírus e as ameaças de novos bloqueios. Na Ásia, os mercados fecharam mistos.

Nos EUA, as hospitalizações por Covid-19 aumentaram pelo menos 10% na semana passada em 32 estados e na capital do país.

Na Europa, a chanceler alemã, Angela Merkel, estuda fechar bares e restaurantes por um mês. Na França, é aguardado para hoje um pronunciamento sobre as novas medidas restritivas para conter o vírus.

Os investidores já desistiram de esperar por um pacote de estímulo econômico dos EUA antes das eleições.

Eleições nos EUA

Os analistas alertam que o clima de “já ganhou” da campanha Joe Biden não é correto. Isto porque ainda é bastante presente a lembrança da última eleição de 2016, quando os mercados ficaram muito surpresos com a vitória de Donald Trump sobre Hillary Clinton.

Especialmente, os investidores devem ficar atentos aos resultados dos chamados swing states, ou seja, estados menos fiéis a republicanos ou democratas, que, dessa forma, ganham maior atenção dos candidatos.

A casa de análise FiveThirtyEight, conforme estudo da Exame Research, identifica como swing states Colorado, Florida, Iowa, Michigan, Minnesota, Nevada, New Hampshire, Carolina do Norte, Ohio, Arizona, Pensilvânia, Virgínia e Wisconsin.

E nesse processo bem diferente do brasileiro, que não vence quem faz maioria simples, o peso desses estados vai ser decisivo.

Assim, mesmo que Joe Biden esteja à frente na maioria das pesquisas, isso não significa que ele irá levar.

Veja as cotações às 13h30:

Bolsa Nova York

  • S&P: -2,61%
  • Nasdaq: -2,86%
  • Dow Jones: -2,63%

Bolsa Europa

  • DAX, Alemanha: -3,89%
  • FTSE, Reino Unido: -2,54%
  • CAC, França: -3,22%
  • FTSE MIB, Itália: -3,55%
  • Stoxx 600: -2,80%

Bolsa Ásia

  • Nikkei, Japão: -0,29%
  • Xangai, China: +0,46%
  • HSI, Hong Kong: -0,32%
  • ASX 200: +0,11%
  • Kospi, Coreia: +0,62%

Petróleo

  • Brent (janeiro 2021): US$ 39,08 (-5,15%)
  • WTI (dezembro 2020): US$ 37,31  (-5,71%)

Ouro

  • Ouro futuro (dezembro 2020): US$ 1.883,60 (-1,48%)