Ibovespa opera perto da estabilidade; mercados em Nova York estão mistos

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Foto: ibovespa

Ibovespa opera perto da estabilidade, em queda de 0,05%, aos 120.474,89 pontos nesta segunda-feira (26).

Dow Jones e S&P aumentaram perdas pouco antes da coletiva de imprensa do assessor econômico do governo Biden, Brian Deese, que confirmou os planos de tributar ganhos de capital.

Dow Jones perde 0,11%; S&P, +0,13% e Nasdaq mantém alta, agora em +0,63%, impulsionado pelo avanço  da Tesla (+0,90%) e Amazon (+1,17%).

As ações das operadoras de shopping center se destacam entre as altas do Ibovespa. Por volta das 14h30, BR Malls ON (BRML3) subia 3,41%, Iguatemi ON (IGTA3), +2,73% e Multiplan ON (MULT3), +2,46%.

Em relatório divulgado hoje, o Research do BTG Pactual destaca que o cenário de covid-19 no Brasil está longe do ideal, mas tem melhorado. Assim, a maior parte das autoridades aliviou as restrições nas operações de varejo recentemente, com 94% dos shoppings agora abertos, segundo a Abrasce. Entre as empresas listadas em bolsa, 100% dos shoppings estão abertos.

Para os analistas, no relatório, a visão é de que o fluxo de notícias permanecerá difícil no curto prazo, com resultados mais fracos no primeiro trimestre, mas a reabertura e flexibilização nas restrições dos shoppings são notícias positivas. Além disso, a vacinação está acontecendo (14% da população recebeu a primeira dose, que deve acelerar nos próximos meses com as vacinas programadas para serem entregues.

“Mantemos nossa visão de longo prazo positiva para o setor de shoppings, que tem sido extremamente resistente e está com valuations atrativos”, comentam

No Brasil, a semana terá divulgação de balanços importantes, começando por Vale e Smiles, que anunciam seus resultados hoje após o fechamento da bolsa.

Também nove IPOs estão programados, começando com GPS Participações e Empreendimentos (GGPS3), que estreia hoje na bolsa. O IPO da Caixa Seguridade é o mais aguardado da semana. Confira aqui a lista completa.

No campo político, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, prometeu apresentar na próxima segunda-feira (3) uma versão inicial do texto da Reforma Tributária. Também já sinalizou que a Reforma Administrativa também deve ser votada este ano.

Lira não especificou, entretanto, a qual proposta ele se referia – há diferentes textos sobre a reforma tributária sendo analisadas pelo Congresso.

Reforma Tributária

Reprodução/Twitter

Amanhã (27) tem início a CPI da Covid, que analisará as ações do governo federal e os repasses aos estados durante a pandemia, o que pode trazer mais desgaste ao presidente Jair Bolsonaro.

Em indicadores, destaque hoje para o Boletim Focus, do Banco Central; e IPC-Fipe e IPC-S com a terceira prévia de abril.

Destaques ao longo da semana

Ao longo da semana, dois indicadores darão um panorama do mercado de trabalho no Brasil e os efeitos da pandemia sobre ele. Na quarta-feira (28) tem divulgação do Caged, do Ministério do Trabalho, que apontou em sua última leitura a criação de mais de 400 mil vagas de trabalho com carteira assinada no país em fevereiro. O ministro da Economia, Paulo Guedes, comemorou o dado, ressaltando o vigor e a resiliência da economia brasileira, mesmo sob crise.

Entretanto, os dados de fevereiro não contabilizavam as novas medidas de distanciamento adotadas em março.

Na sexta (30), será divulgada a Pnad Contínua, do IBGE, com a taxa de desemprego. Em sua última leitura, ela ficou estável em 14,2%. Ainda assim, o número é o mais alto já registrado para igual período de análise.

Indicadores de inflação

A inflação também está na pauta da semana, com IPCA-15 na terça-feira (27) divulgado pelo IBGE. Ele é considerado uma prévia da inflação e a projeção é de alta de 0,96% em abril, na comparação com março. No mês anterior, a leitura foi de alta de 0,93% no mês e de 5,52% na comparação anual.

Na quinta (29), sai a leitura final do IGP-M de abril, da FGV. Na segunda prévia do mês, o indicador subiu 1,17%, ante 2,98% no mesmo período do mês anterior. Na primeira leitura de abril, a alta foi inferior, de 0,50%.

Se o 1,17% for confirmado, a alta acumulada em 12 meses passará de 31,15% para 31,57%.

IGP-M é o indicador atualmente utilizado para reajuste do aluguel, mas, devido à alta do índice, muito vinculado ao preço das commodities, vem sendo substituído nas negociações pelo IPCA. A FGV já admite, inclusive, que estuda substituir o indicador do aluguel.

Acompanhe a agenda completa da semana.

Veja também o calendário completo dos balanços das empresas. 

Mercados: destaques no Exterior

A reunião do Fomc é o grande destaque da agenda externa. O comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed) apresenta na quarta-feira (28) sua decisão sobre os juros nos Estados Unidos. Até aqui, a postura do Fed tem sido a de tranquilizar o mercado quanto ao risco inflacionário, garantindo juros zerados até 2023. O que o mercado quer saber é se haverá qualquer mudança no discurso dowish do presidente do Fed, Jerome Powell.

Na quinta-feira (29) sai a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para o primeiro trimestre de 2021. A projeção é de alta de 6,5%, ante 4,3% do quarto trimestre de 2020.

Se confirmado, o número indicará retomada do crescimento, após ter alcançado números recordes (tanto de queda quanto de recuperação) em 2020, por conta da pandemia.

Vale lembrar que, no terceiro trimestre, o PIB real dos EUA aumentou 33,4%, uma marca recorde no país. Enquanto que, no segundo trimestre, caiu 31,4%. E no primeiro, recuou 5%.

A retomada do crescimento nos EUA está vinculada a dois temas bastante recorrentes no mercado: a taxa de juros, que pode subir antes do anunciado pelo Fed se a inflação acelerar demais; e o pacote de infraestrutura em discussão entre Biden e congressistas. O entendimento do mercado é que, se houver recuperação consistente da economia, o projeto de Biden fica desidratado.

Entre os balanços que serão divulgados ao longo da semana, destaque para as “big techs” Apple, Microsoft, Amazon e Alphabet.

Segundo a CNBC, até aqui, 84% das empresas que já divulgaram seus resultados do primeiro trimestre de 2021 surpreenderam positivamente, com lucro por ação acima do projetado.

Os investidores seguem acompanhando os desdobramentos do provável aumento nas taxas sobre os ganhos de capital de que tem renda superior a US$ 1 milhão por ano. A proposta do presidente Joe Biden é dobrar o imposto. Na semana que se inicia, o tema deve ser recorrente, com os investidores reagindo aos detalhes sobre o projeto.

Acompanhe a agenda completa da semana.

Veja também o calendário completo dos balanços das empresas. 

Confira as cotações às 10h18:

Mercados Nova York

  • S&P: -0,11%
  • Nasdaq: +0,63%
  • Dow Jones: -0,11%

Mercados Europa

  • DAX, Alemanha: -0,01%
  • FTSE, Reino Unido: +0,31%
  • CAC, França: +0,28%
  • FTSE MIB, Itália: +0,22%
  • Stoxx 600: +0,14%

Mercados Ásia

  • Nikkei, Japão: +0,36%
  • Xangai, China: -0,95%
  • HSI, Hong Kong: -0,43%
  • ASX 200, Australia: -0,21%
  • Kospi, Coreia: +0,99%

Petróleo

  • Brent (junho 2021): US$ 65,02 (-1,65%)
  • WTI (maio 2021): US$ 61,13 (-1,63%)

Ouro

  • Ouro futuro (junho 2021): US$ 1.779,50 (+0,10%)

Minério de ferro

  • Bolsa de Dalian: US$ 176,48 (+4,33%)