Ibovespa opera em alta, na contramão de Nova York

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O Ibovespa opera em alta de 0,33% nesta segunda-feira (19), aos 121.554,94 pontos.

As bolsas europeias foram perdendo o fôlego a partir da metade do pregão, seguindo Wall Street em queda. Também pesou o aumento dos casos de coronavírus na região, informa o BDM Online.

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A vacinação está avançando, mas não ao ponto de parar a quarta onda da pandemia. E ordens de controle e restrições continuam em vários países. É aguardada a reunião do Banco Central Europeu na quinta-feira, sobretudo em relação ao programa de compra de títulos. O índice Stoxx 600 Europe fechou estável (-0,03%), aos 442,34 pontos. A bolsa de Frankfurt caiu 0,50%, Londres -0,26%, Paris +0,15% e Madri +1,09%.

A semana será mais curta no país, com feriado de Tiradentes na quarta-feira (21), que deixará a bolsa de São Paulo fechada.

O principal tema da semana será, novamente, o Orçamento de 2021. O presidente Jair Bolsonaro tem até quinta-feira (22) para sancionar o texto, que já foi chamado de “inexequível” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

A disputa entre Centrão, que pressiona pela aprovação do texto com as emendas parlamentares, e equipe econômica vem colocando Guedes novamente isolado dentro do governo.

O ministro defende que deixar gastos obrigatórios de fora do texto para contemplar emendas trará questionamentos e até um possível processo de impeachment. O Congresso devolve, garantindo que o projeto não será passível de questionamento.

A equipe econômica e o Congresso negociam uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias 2021 que, na prática, vai tirar gastos extraordinários de combate ao coronavírus da contabilidade da meta fiscal deste ano, que permite rombo de até R$ 247,1 bilhões, lembra o BDM Online.

A alteração deve ocorrer em projeto de lei já em tramitação e que tinha como objetivo destravar o programa que permite redução de jornada e salário ou suspensão de contrato de trabalhadores, o BEm, e o programa de crédito a micro e pequenas empresas, Pronampe.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, as conversas vão no sentido de aprovar uma emenda proposta pelo senador Rogério Carvalho (PT) que inclui três exceções à meta fiscal: gastos com saúde voltados ao combate à covid-19, despesas com o BEm e o Pronampe.

A concessão vale para créditos extraordinários, que também ficam fora do teto de gastos, a regra que limita o avanço das despesas à inflação. Na avaliação de uma fonte da área econômica, aprovar a emenda sem limites de valor para o BEm e para o Pronampe pode ser um risco, mas o governo precisa ser “crível” uma vez que a situação atual da pandemia “exige suporte”. Para outra fonte, não ter limite de valor a esses programas é “ruim, mas não terrível”.

Posse de Joaquim Silva e Luna

O general Joaquim Silva e Luna tomou posse hoje (19) como presidente da Petrobras. Ele foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro em substituição ao economista Roberto Castello Branco.

Em seu discurso, Silva e Luna disse que não há dúvidas de que, entre os principais desafios, estão tornar a Petrobras cada vez mais forte, trabalhando com visão de futuro, segurança, respeito ao meio ambiente, aos acionistas e à sociedade para garantir o maior retorno possível ao capital empregado.

O novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, garantiu que a companhia vai buscar reduzir a volatilidade dos preços sem desrespeitar a paridade internacional.

“O desafio é garantir o maior retorno ao capital empregado, sustentado em ativos de óleo e gás de classe mundial em águas profundas e ultraprofundas. Queremos fazer tudo isso conciliando interesses de consumidores e acionistas”, afirmou em discurso, conforme publicado pelo Valor Pro

Na quinta-feira (22), mais emoções reservadas na agenda. Na data começam os trabalhos da CPI da Covid, que investiga as ações do governo federal e os repasses aos estados no combate à pandemia.

No mesmo dia, acontece o julgamento da isenção de Sergio Moro nos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que definirá se parte das decisões do ex-juiz poderá ser reaproveitada na vara federal que receberá as ações (São Paulo ou Brasília) – lembrando que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou na semana passada que não cabia à vara de Curitiba julgar os casos, o que devolveu à Lula seus direitos para concorrer à presidência em 2022.

Entre quinta e sexta (23) também tem Conferência do Clima, da qual participam Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que devem defender aos demais países sua globalmente questionada política ambiental.

Indicadores

  • O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 1,70% em fevereiro ante janeiro, bem acima do esperado pelo mercado, que era de alta de 0,5%. Em janeiro, a alta foi de 1,04%.
  • Na comparação com fevereiro de 2020, o indicador registrou alta de 0,98%. No acumulado de 12 meses, houve recuo de 4,02%. No ano, a alta é de 0,23%. E, no trimestre, de 3,13%. O IBC-Br é mensal, divulgado pelo Banco Central, ao passo que o PIB é divulgado trimestralmente pelo IBGE.
  • O Boletim Focus trouxe nesta segunda-feira (19) nova alta na projeção do mercado para a inflação até o final de 2021: de 4,85% da semana passada para 4,92%. É a segunda alta consecutiva. Há quatro semanas, a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) era de 4,71%.
  • Também houve alta na expectativa para o câmbio: de R$ 5,37 para R$ 5,40. Há quatro semanas, era R$ 5,30. É a quarta alta consecutiva.
  • Para o Produto Interno Bruto (PIB), houve recuo na projeção pela sétima semana seguida, em relação à semana passada: de 3,08% para 3,04%. Há quatro semanas, a expectativa era de 3,22%.
  • A projeção da Selic, taxa básica de juros, segue igual à semana anterior: 5,35%. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne no início do mês que vem para avaliar a Selic. A tendência é por nova alta, que deve levar a Selic dos atuais 2,75% para 3,50%.
  • Na segunda prévia de abril, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), calculado pela FGV e que reajusta o aluguel, subiu 1,17%, ante 2,98% no mesmo período do mês anterior. Na primeira leitura de abril, o indicador registrou alta inferior, de 0,50%. Com o resultado divulgado nesta segunda-feira (19), a alta acumulada em 12 meses passou de 31,15% para 31,57%.
  • O Índice de Preços ao Consumidor do Município de São Paulo (IPC-Fipe), que mede a inflação na cidade de São Paulo, variou 0,65% na segunda leitura de abril, ante 0,71% da semana anterior.

Destaques no Exterior

Os bons resultados dos indicadores dos EUA, aliados a uma bem-sucedida campanha de vacinação, que já imunizou metade da população adulta, aumentam a crença do mercado em uma forte recuperação econômica.

No entanto, os investidores seguem acompanhando as movimentações dos rendimentos do tesouro americano, já que novas altas podem ligar novamente o alerta de risco inflacionário. O que pode fazer o Federal Reserve (Fed) subir os juros mais cedo do que o aguardado. Até aqui, o Fed mantém o discurso de que os juros seguem zerados até 2023, o que manteve, nas últimas semanas, a tranquilidade do mercado.

Hoje segue a temporada de balanços nos EUA e a ampliação da vacinação para todos os adultos ainda não imunizados do país.

Na quinta-feira (22), o Banco Central Europeu divulga sua definição sobre a taxa de juros na zona do euro. A expectativa é, novamente, de manutenção dos estímulos, diante da dificuldade de vacinação na região, o que vem impossibilitando uma retomada mais acelerada da economia.

Veja as cotações às 15h:

Mercados Nova York

  • S&P: -0,63%
  • Nasdaq: -1,09%
  • Dow Jones: -0,44%

Mercados Europa

  • DAX, Alemanha: -0,52%
  • FTSE, Reino Unido: -0,49%
  • CAC, França: +0,20%
  • FTSE MIB, Itália: -0,33%
  • Stoxx 600: -0,12%

Mercados Ásia

  • Nikkei, Japão: +0,01%
  • Xangai, China: +1,49%
  • HSI, Hong Kong: +0,47%
  • ASX 200, Australia: +0,03%
  • Kospi, Coreia: +0,01%

Petróleo

  • Brent (junho 2021): US$ 66,60 (-0,25%)
  • WTI (maio 2021): US$ 63,08 (-0,08%)

Ouro

  • Ouro futuro (junho 2021): US$ 1.776 (-0,24%)

Minério de ferro

  • Bolsa de Dalian: US$ 162,85 (+0,81%)

*Com Agência Brasil, BDM Online e BTG Pactual

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