Ibovespa vira e opera em alta, em linha com bolsas de Nova York

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/B3

O Ibovespa opera em alta de 0,35%, aos 119.232 pontos, nesta terça-feira (13).

No país, segue o impasse quanto ao Orçamento de 2021, que vem prejudicando o mercado. Na noite de segunda (12), o índice EWZ, de ativos brasileiros na bolsa de Nova York, chegou a cair 1,70%.

Até aqui, parece que duas soluções vêm sendo desenhadas.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, promete uma proposta de emenda constitucional para garantir recursos para os programas sociais do governo fora do orçamento, o que evitaria a decretação do estado de calamidade.

Já o Congresso garante, por envio de notas das áreas técnicas, que não haverá crime de responsabilidade se Jair Bolsonaro não vetar o texto ou vetá-lo parcialmente.

De acordo com o Estadão, os congressistas estão incentivando o presidente e o vice, Hamilton Mourão, a viajarem e deixarem a sanção do Orçamento para o presidente da Câmara, Arthur Lira.

Segundo o BDM Online, observa-se neste meio de tarde um sentimento positivo amplo, com o Ibovespa renovando máximas e dólar tocando mínimas em série.

A moeda americana reverte a pressão da manhã, quando chegou até a faixa de R$ 5,75, e acentua o fôlego de baixa (-0,77%), para R$ 5,678, diz o BDM.

O movimento acompanha a queda do dólar em escala global, que tem como gatilho as mínimas dos yields dos Treasuries. A taxa da Note de dez anos renovou seu piso intraday, há pouco, a 1,627%, contra 1,672% no pregão da véspera, diante da demanda acima da média em leilão de Bonds. O Ibovespa desconta o cenário de riscos, com a CPI da Pandemia e a PEC fura-teto cogitada pelo governo, e sobe 0,55%, aos 119.461 pontos, em véspera de vencimento do Índice Futuro, que amplia os movimentos especulativos na bolsa.

Nova crise entre executivo e judiciário

Paralelamente, segue a novela da nova crise entre executivo e judiciário. Depois de criticar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar responsabilidades do governo federal durante a pandemia, Bolsonaro foi gravado, negociando com o senador Jorge Kajuru apoio para incluir prefeituras e governos estaduais na investigação, e incentivando ações para instalação de investigações contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão da abertura da chamada CPI da Covid será analisada pelo plenário do Supremo na quarta (14). Assim como recurso da imparcialidade do juiz Sérgio Moro nos julgamentos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dependendo do resultado, Lula poderá ter o aval final para disputar a presidência em 2022, o que promete muita polaridade e ainda mais riscos ao teto fiscal em ano eleitoral.

Hoje deve repercutir no mercado a aprovação do nome do general Joaquim Luna e Silva para presidente da Petrobras, assim como a eleição dos demais conselheiros da estatal. Os investidores acompanham qualquer sinal sobre mudanças na política de preços da empresa, razão pela qual o antigo presidente, Roberto Castello Branco, foi substituído por Bolsonaro.

Vendas no varejo

Ainda sem o impacto das novas restrições de circulação de março, o comércio varejista cresceu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal. O resultado ficou pouco abaixo do consenso, de alta de 0,7%. A divulgação é do IBGE.

Destaques no Exterior

Os mercados de Nova York tiveram queda pela manhã, depois que o Food and Drug Administration (FDA) suspendeu o uso da vacina da Johnson & Johnson nos Estados Unidos. Assim como a vacina da AstraZeneca/Oxford, a da Johnson também teve relatos de coagulação do sangue em alguns imunizados (6 até aqui, segundo a CNBC).

No entanto, os índices reagiram bem aos dados da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC ou CPI, na sigla em inglês) dos EUA subiu 0,6% em março, pouco acima da projeção de 0,5%. O núcleo do IPC avançou 0,3%, ante 0,1% da leitura anterior e 0,2% aguardados pelo mercado.

Considerado um resultado em linha com o aguardado, o indicador não deve exercer muita pressão sobre os juros. O banco central americano (Fed) afirma que a inflação está sob controle e que uma alta já é aguardada com a retomada econômica. Mas que ela dispensa qualquer interferência na política monetária adotada – que promete juros zero até 2023. O mercado, no entanto, desconfia.

Amanhã (14), o presidente do Fed, Jerome Powell discursa em evento em Washington. A fala será acompanhada bem de perto pelos investidores, à espera de qualquer alteração de rumo.

Também na quarta tem início a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2021 nos EUA. As divulgações começam hoje na Europa.

No Reino Unido, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,4% na leitura de fevereiro, com queda de 7,8% na comparação anual. A projeção era por avanço maior, de 0,6% no mês e recuo de 7,3% no ano.

Na China, a balança comercial de março ficou em US$ 13,80 bilhões, abaixo da projeção de US$ 52,05 bi. As exportações subiram 30,6% na comparação com março de 2020, quando se aguardava alta de 35,5%. Já as importações vieram acima do projetado: aumentaram 38,1%, ante 23,3% esperados.

Veja as cotações às 16h:

Mercados Nova York

  • S&P: +0,37%
  • Nasdaq: +1,00%
  • Dow Jones: -0,03%

Mercados Europa

  • DAX, Alemanha: +0,18%
  • FTSE, Reino Unido: +0,01%
  • CAC, França: +0,34%
  • FTSE MIB, Itália: +0,50%
  • Stoxx 600: +0,10%

Mercados Ásia

  • Nikkei, Japão: +0,72%
  • Xangai, China: -0,48%
  • HSI, Hong Kong: +0,15%
  • ASX 200, Australia: +0,04%
  • Kospi, Coreia: +1,07%

Petróleo

  • Brent (junho 2021): US$ 63,81 (+0,84%)
  • WTI (maio 2021): US$ 60,20 (+0,84%)

Ouro

  • Ouro futuro (junho 2021): US$ 1.741,70 (+0,52%)

Minério de ferro

  • Bolsa de Dalian: US$ 156,24 (+3,28%)