A solução para a renda fixa atual: fundo de CRIs

Denys Wiese
Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro. Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

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Para quem viveu os bons anos da renda fixa de 2015 e 2016, procurar aplicações nos dias de hoje está complicado. Naquela época, pré e pós-impeachment, existiam prefixados pagando 15% ao ano; o CDI estava em torno de 14% ao ano e os papéis IPCA+ pagavam juros reais de 8% ao ano. Ou seja, prefixados, pós-fixados e híbridos (IPCA+) rendiam acima de 1% ao mês.

A maravilha na Terra!

Porém, a situação mudou.

O CDI está em 6,4% ao ano; os prefixados estão pagando 9, 10, quem sabe 11% ao ano, e os híbridos estão pagando IPCA+5% ao ano (está difícil de fazer 0,6, 0,7% ao mês). E, dada a inflação persistentemente abaixo da meta, o cenário de juros baixos tende a se prolongar.

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Qual é a alternativa para quem deseja melhores rendimentos, sem os riscos da renda variável?

Resposta: os fundos de CRIs!

Para iniciarmos o assunto: O que é um CRI?

*CRI significa “Certificado de Recebível Imobiliário”.

Imagine que exista uma construtora de apartamentos, em que as vendas de seus imóveis são feitas via financiamento direto. A construtora faz contratos de venda, em que é exigida uma entrada mais parcelas mensais de 60, 120, 180 meses. Na prática, a construtora está financiando seus clientes nesse processo, pois lhes dá o imóvel “à vista” e recebe os pagamentos de forma parcelada.

Contudo, o negócio principal de uma construtora é construir ou emprestar dinheiro?

A primeira opção é a verdadeira. Logo, esse capital que está investido em clientes, poderia estar investido na construção de novos prédios. Qual é a alternativa para a construtora?

São duas as principais:

  • Ir até o banco e vender a carteira de recebíveis. Essa operação dura em média seis meses.
  • Ir até uma securitizadora de recebíveis, que “transforma” esses contrato de financiamento em um ativo altamente negociável no mercado financeiro, chamado CRI. Esse CRI é vendido pela securitizadora para investidores em geral e fundos imobiliários. Essa operação pode ser feita em até 30 dias.

Em ambas as situações, a construtora recebe o dinheiro de sua carteira à vista (às vezes com algum deságio, a depender da qualidade das garantias e dos clientes) e os compradores dos contratos (seja o banco, fundos ou investidores em geral) recebem a promessa de um fluxo de pagamentos constante, a uma taxa de juros.

Em resumo, o CRI nada mais é do que um “pacote” de vários contratos de financiamento de imóveis, formatado de modo que seja facilmente negociável no mercado financeiro.

Qual é o risco de um CRI?

O CRI representa uma dívida e, portanto, é um investimento em renda fixa. O risco principal desse investimento é o devedor (que é o comprador do imóvel financiado) não pagar sua dívida. Se isso ocorrer o que acontece?

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O investidor (detentor do CRI) receberá menos juros em um primeiro momento, pois aquele CRI possui algum contrato que está falhando com a sua obrigação. Porém, quando o contrato de financiamento foi feito, o imóvel foi dado como garantia. Se a inadimplência persistir por algum tempo (por três meses, por exemplo) a garantia é executada, vendida, e o capital é devolvido ao investidor.

Existem outros riscos como: liquidez mais baixa, risco de mercado (com a flutuação do preço dos ativos, em função das taxas prefixadas) e IPCA+ que remuneram determinados CRIs.

Como o investidor comum tem acesso aos CRIs?

Existem duas formas de se comprar um CRI:

  • Via corretora, comprando diretamente o papel.
  • Via corretora, comprando através de um fundo de CRIs.

*A primeira opção é desejável se:

a) O investidor não quer ver o preço flutuar com a marcação a mercado (o preço irá flutuar, mas o investidor não irá ver isso);

b) O investidor deseja comprar um ativo em específico, de determinada empresa (devedor),

c) O investidor deseja ter completo domínio sobre a aplicação e gerir sua própria carteira de CRIs.

*A segunda opção é desejável se:

a) O investidor aceita ver certa flutuação dos preços dos CRIs, pois os fundos são negociados na bolsa e a marcação do preço é dada minuto a minuto;

b) O investidor não tem domínio sobre qual CRI escolher e quer ajuda com a gestão de uma carteira de CRIs,

c) O investidor deseja maior pulverização de seus investimentos.

Quanto rende um CRI?

As pessoas físicas possuem uma grande vantagem ao investir em CRI. Elas são isentas de Imposto de Renda. Mas, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, o rendimento principal virá dos juros que os compradores de imóveis pagam em suas dívidas. E esses juros giram em torno de IPCA+8%, IPCA+9%, CDI+2%, CDI+3%… Algo não muito diferente disso.

Os CRIs rendem acima das LCIs, LCAs e CDBs, pois a estrutura de garantias é um pouco mais complexa. Caso um banco emissor de títulos quebre, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em pouco mais de um mês devolve o recurso ao investidor.

Caso o devedor de um CRI quebre, há todo um caminho que será percorrido até o investidor ser ressarcido (no caso, execução da dívida, alienação, devolução). Isso leva mais tempo.

Se esse problema de fato acontecer, não é o investidor que terá que ir atrás do ressarcimento do seu capital. Em ambos os casos (compra direta de CRI ou via fundos) os administradores (securitizadora, ou administradores dos fundos) farão todo o trabalho.

E os investidores conservadores?

Os investidores conservadores estão em uma “sinuca de bico”. O CDI está no menor patamar da história, em 6,4% ao ano; juros nominais (prefixados) na lona e juros reais, medidos pelos títulos do tesouro IPCA, em torno de 4 a 5% ao ano (dependendo do prazo). Praticamente todos os investidores conservadores tiveram suas rentabilidades espremidas drasticamente após o período eleitoral, fruto de um grande otimismo que paira no mercado.


O gráfico acima mostra os contratos futuros de DI para 2029: observem como os juros nominais estão em patamares baixos.

No curto prazo, as oportunidades estão “bem no preço”, sem “pechinchas” aparentes. No entanto, como a maioria dos investidores tem o horizonte de investimento de longo prazo (acima de três  anos), tenho uma indagação a fazer: será que no longo prazo, sem considerar TIMING (oportunidades pontuais), é melhor carregar papéis prefixados ou pós-fixados?

Para responder essa pergunta, utilizarei como base um relatório divulgado pela área de Análise de Renda Fixa da XP Investimentos. Segundo o relatório, nos últimos 10 anos, quem apostou em prefixados se deu bem em 70% das vezes.

Veja o gráfico abaixo:


Esse gráfico mostra os trimestres (de janeiro de 2008 a dezembro de 2017) em que os ativos prefixados venceram os pós-fixados (indicados pela área em cinza). Dentre todo esse prazo, os períodos que antecederam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, entre 2013 e 2015 (período de alta dos juros e forte instabilidade) foram aqueles que deram derrota aos prefixados. No restante dos prazos, em períodos de calmaria e maior otimismo, os prefixados foram vitoriosos.

Por que os ativos prefixados têm vantagem na maior parte do tempo, mas se dão mal em períodos de estresse?

Para explicar isso, existem dois pontos: o prêmio embutido no ativo pré, e o fato do ativo pós ser um juro à vista. Vou explicar…

Prêmio de risco do prefixado

Qual é o risco de você carregar um papel prefixado? Lembre-se, o rendimento de um papel prefixado já é determinado no momento de compra. E, se carregarmos ele até o vencimento, esse rendimento não se altera por nada.

Digamos que compramos um prefixado pagando 10% ao ano, de quatro anos. E digamos que na ocasião da compra, a inflação está em 5% ao ano. Logo, esse papel, a princípio, nos dá um juro real de 5% ao ano (10 – 5 = 5% ao ano, a grosso modo).

Mas, se essa inflação vai a 8%, o que ocorre? O juro real (o aumento de poder de compra do capital) cairá para 2% ao ano (10 – 8 = 2% ao ano), a partir dali. E se a inflação ultrapassar os 10% ao ano? Passaremos a ter uma perda real de poder de compra. O risco de você comprar um ativo prefixado é justamente o da inflação subir e comer o seu rendimento real. Por isso, esses papéis são mais indicados para períodos de calmaria (inflação baixa).

Bom, esse risco existe nos ativos pós-fixados? Em parte sim, em parte não. Quando a inflação sobe, já sabemos que o Banco Central, através do Copom, aumenta os juros, justamente para conter a inflação. Logo, se a inflação subir, em um primeiro momento os ativos pós-fixados irão sofrer (dado o delay do Banco Central em agir), mas logo num segundo momento, teremos nosso rendimento aumentando, que compensará (pelo menos em partes) a perda com a alta da inflação.

Mas, definitivamente, os prefixados não possuem essa compensação. Por isso, o investidor e o mercado financeiro exigem um “Prêmio pelo carrego”, ou seja, um prêmio adicional para comprar ativos prefixados. E é esse o prêmio adicional que o investidor terá no longo prazo, fazendo que no longo prazo os ativos prefixados superem os pós-fixados.

Prêmio pelo carrego

Pós-fixado é juro à vista

Quando analisamos a curva de juros de longo prazo, iremos constatar que os juros lá da frente (2025, 2030, por exemplo) estão mais altos que os juros mais próximos (2019, 2020, por exemplo).

*O gráfico acima mostra: (1) que os juros com vencimentos mais longos são mais caros; (2) que com a proximidade das eleições, a curva de juros se deslocou para baixo, precificando a vitória do Bolsonaro.

Juros longos são mais caros que juros curtos, isso é o normal de qualquer economia normal. Esse fato acontece porque os juros futuros são “expectativas de quanto estarão os juros em determinada data”. Esses juros são contratos negociados na bolsa (contratos de DI) e também embutem o risco pelo carrego (quem fecha um contrato de futuro de DI também tem o risco da sua operação ser drasticamente afetada pela alta da inflação).

Logo, esses contratos também naturalmente terão um “premiozinho” adicional, acima da própria expectativa de quanto estará a Selic lá na frente.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By orcearo

Uma taxa prefixada é necessariamente uma taxa futura. Não existe taxa prefixada com vencimento hoje (taxa prefixada com vencimento em um dia é a própria Selic, que é uma taxa pós-fixada).

Se uma taxa prefixada é necessariamente uma taxa futura, necessariamente ela embute um “prêmio” pelo carrego. Pelo lado inverso, os papéis pós-fixados são indexados aos juros à vista (por exemplo Selic e CDI, que são juros à vista). Logo, pós-fixados não possuem “prêmios” adicionais.

Aqui, portanto, reside o motivo de que prefixados rendem mais que pós-fixados, no longo prazo.

E hoje, o que fazer?

Dado o menor CDI da história, com leve tendência de alta. Dado os juros prefixados (nominais) nas mínimas, depois da eleição.

Me parece que podemos adotar a seguinte postura:

  • Ao investidor de curto e médio prazo, dada a completa incerteza frente aos solavancos da inflação e das taxas prefixadas, determinadas, principalmente, pela aprovação ou não da reforma da Previdência, é prudente compormos um mix, de 50% prefixado ou 50% pós-fixado. Ou, se quiserem, dá pra adicionar o IPCA+ nessa salada, fazendo 1/3, 1/3, 1/3.
  • Ao investidor de longo prazo (com horizonte acima de cinco anos), dado o estudo realizado pela XP Investimentos, é legal montar uma carteira com vários vencimentos (digamos, um papel vencendo por ano) de prefixados. A ideia de pulverizar a carteira em vários prazos nos dá a agilidade necessária para aplicar o capital à taxas mais altas, caso o juro dispare, pelo menos em parte do capital.

Por hoje é isso, pessoal!

Se considera um investidor conservador? Então você está em risco de extinção!

O cenário econômico virou do avesso e o país já não é mais o mesmo.

As taxas de juros caíram à níveis jamais vistos no Brasil desde o final do governo Militar (imagem abaixo) e levaram os rendimentos de Renda Fixa para próximo de Zero (ou negativos no caso da poupança).

Italian Trulli

A nova equipe econômica está incentivando novos investimentos no país, e com isso já não é mais possível ganhar dinheiro confortavelmente na poupança e em CDBs comuns. Por isso, estamos declarando a Extinção do Investidor Conservador.

Se você faz parte dessa espécie de investidor que está em risco de extinção, confirme seus dados no formulário abaixo e fale com nossa equipe. Vamos te ajudar, sem dor e sem custo.