A quantas anda a temporada de balanços do 3TRI21? Saiba aqui

Ronaldo Araújo
Engenheiro e Agente Autônomo de Investimentos, hoje me dedico a divulgar ensinamentos sobre como funciona a Previdência Privada. Acredito que com mais conhecimento é possível fazer melhores escolhas para a formação do patrimônio de longo prazo. Para saber mais acesse www.ronaldoaraujo.com.br
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Crédito: Divulgação/Pixabay

A temporada de balanços do 3TRI21, com mais de 60% de todas as empresas já tendo feito sua divulgação, continua com grandes surpresas. Infelizmente nem todas elas são positivas, mas isso faz parte de um cenário econômico mundial que ainda sente os efeitos da crise da pandemia. Em breve, espera-se que tudo se normalize.

Acompanhe a seguir os principais destaques obtidos até agora com a divulgação de resultados das empresas brasileiras de capital aberto. Confira!

Temporada de balanços: como está o cenário atual para as empresas?

A situação ao redor do mundo não está fácil para ninguém. Nesse sentido, as empresas brasileiras listadas em bolsa também sentem o impacto dos efeitos causados pela crise da pandemia. Adicionalmente, outras questões também influenciam o mercado doméstico, como a queda brusca no preço do minério de ferro e a possibilidade de uma crise imobiliária na China.

No cenário nacional, questões conjunturais acabam pressionando os ativos brasileiros. A inflação cada vez mais alta fez com que o Banco Central elevasse a taxa de juros de forma drástica na última reunião do Copom. Além disso, a questão fiscal teve um peso relevante no desempenho das empresas, com o teto fiscal sendo furado e previsões de mais aumento de impostos para cobrir gastos como o novo programa de distribuição de renda para a população mais carente.

Quais foram alguns dos destaques positivos?

Acompanhe os principais destaques positivos na divulgação de balanços do 3T21.

Bradesco (BBDC4)

O banco reportou resultados positivos em seu balanço do 3T21. O lucro líquido teve um crescimento expressivo de 35% e fez um total de nada menos que R$ 8 bilhões. A justificativa para o bom desempenho se encontra no braço segurador do grupo, que apresentou melhores resultados com despesas abaixo do esperado, tanto no âmbito cível como no âmbito fiscal.

Gerdau (GGBR4)

A Gerdau foi outro destaque positivo em meio a temporada de divulgação de balanços. Tanto a margem EBITDA quanto o próprio EBITDA bateram recordes na maioria das unidades do grupo quando observado o período trimestral. O fluxo de caixa livre foi outro destaque, atingindo R$ 3,8 bilhões. O reflexo desse bom desempenho pode ser constatado pela distribuição de proventos anunciada: R$ 1,42 por ação em dividendos e R$ 0,20 em juros sobre capital próprio.

Weg (WEGE3)

A multinacional catarinense mostrou a que veio com a divulgação de seu resultado trimestral. Seu lucro líquido no período foi de R$ 813 milhões, com receita líquida de R$ 6,2 bilhões. Apenas a margem EBITDA apresentou pequena contração, refletindo o aumento nos custos das matérias-primas, mas isso já era esperado pelo mercado devido à situação mundial do pós-crise da pandemia.

Os destaques negativos ficaram por conta de quais empresas?

A seguir apresentamos as principais decepções em relação aos números divulgados pelas companhias até agora na temporada de balanços.

Vale (VALE3)

Os números da Vale acabaram decepcionando o mercado, a começar pelo preço realizado do minério de ferro: US$ 127 por tonelada. Isso é abaixo do que o mercado esperava e, para completar os números ruins, os metais básicos também tiveram preço de realização diminuídos. Outros dois fatores contribuíram para o desempenho ínfimo: uma greve de trabalhadores em unidades do Canadá e o anúncio de um programa de recompra de ações. Serão retirados do mercado um total de 4,1% dos ADRs existentes hoje.

AES Brasil (AESB3)

A geradora de energia brasileira passou maus bocados com a recente crise hídrica instalada no país. Isso colaborou para uma geração de caixa muito pequena para os padrões da companhia. Além disso, está em curso um processo de reestruturação da organização e isso impactou diretamente nos impostos diferidos, refletindo em um EBITDA abaixo do esperado.

Usiminas (USIM5)

A Usiminas (USIM5) sofreu fortes reflexos com dois pontos principalmente: o preço do aço e o preço do minério de ferro mais baixos no mercado internacional. No entanto, parte desse prejuízo foi compensado por volumes de produção mais altos. Não por acaso a companhia atingiu uma dívida líquida de R$ 1,2 bilhão. O EBITDA ajustado foi de 16% abaixo do consenso esperado pelo mercado.

Natura (NTCO3)

A Natura (NTCO3) reportou queda de 28,6% no lucro líquido consolidado do terceiro trimestre de 2021 (3TRI21). Assim, o lucro caiu de R$ 377 milhões para R$ 296,6 milhões no 3TRI21.

Os principais impactos nos negócios, segundo a empresa, foram a pandemia, com as restrições nos Estados.

Ebitda da Natura (NTCO3) recuou 34,5% no comparativo anual, atingindo R$ 953 milhões no 3TRI21. Já margem Ebitda da empresa passou de 14% para 10%.

Enquanto a receita caiu 8,4%. Ou seja, passou de R$ 10,4 bilhões para R$ 9,64 bilhões na base comparativa anual.

Quem atendeu o resultado esperado pelo mercado?

Em seguida, vemos os resultados que foram apresentados dentro do que o mercado vinha esperando.

Cesp (CESP6)

A companhia de energia elétrica reportou resultados bons por meio da venda de energia. No entanto, a organização também vem sendo afetada pela crise hidrológica que ocorre no país. Isso fez com que seu resultado fosse neutro no final das contas. Ainda assim, o papel CESP6 continua com boas expectativas no mercado com potencial de valorização.

Fleury (FLRY3)

Um número interessante divulgado pela Fleury foi de seu lucro líquido de R$ 95 milhões. A fonte desse resultado veio tanto do crescimento orgânico quanto do crescimento inorgânico. Assim, o crescimento marginal pode apresentar retornos até menores do que a operação em si e por isso considera-se que a divulgação do resultado do 3T21 da companhia ficou dentro do que o mercado esperava.

Unidas (LCAM3)

A Unidas atendeu as expectativas do mercado que esperava bons números. Eles foram apresentados de fato por todos os segmentos de atuação da empresa. A divisão de aluguéis de veículos elevou a margem EBITDA em 45%. Já o setor de seminovos da companhia teve margem de 22% e, por fim, a divisão de gestão de frotas apresenta um crescimento consistente, reforçando a posição forte da organização no mercado.

Não está sendo um período fácil para nenhum país atualmente, mas mesmo assim muitas empresas brasileiras de capital aberto têm se saído bem. Infelizmente, o cenário externo contribuiu para o fraco desempenho de empresas que comercializam commodities e espera-se que com a recuperação desse mercado o lucro volte a brilhar dentro dessas companhias.