A pior crise do petróleo desde a guerra do Golfo Pérsico?

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

Depois do fracasso da última reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, uma guerra total e sem precedentes dos preços dos petróleos pode estar prestes a começar, segundo analistas ouvidos pela CNBC na manhã desta segunda-feira (9).

Porém, com a crise provocada pelo coronavírus, os comerciantes dizem que é uma questão de tempo até que um dos envolvidos pisque primeiro e um acordo pode ser feito.

As consequências de um não acordo entre a Arábia Saudita e a Rússia é a possibilidade do início de uma guerra de preços, com futuros brutos a caminho de registrar sua maior queda diária desde a Guerra do Golfo, em 1991.

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Pânico nas bolsas

O petróleo Brent, referência internacional, fo negociado a US$ 35,60 na manhã desta segunda-feira, uma queda de 21%. Os contratos futuros do Brent caíram mais de 30% em uma etapa da sessão.

Para os especialistas, a indústria petrolífera dos Estados Unidos sofrera um forte impacto.

As bolsas do mundo inteiro já sentem o reflexo dessa guerra de preço na manhã dessa segunda-feira

 

Qual produtor vai piscar primeiro?

Chris Midgley, analista chefe da S&P Global Platts, disse à CNBC que há, de fato, “condições sem precedentes que criaram uma situação em que os comerciantes de petróleo estão olhando para ver quem vai piscar primeiro.

Midgley explica que a Arábia Saudita possui saldos fiscais e têm os barris de menor custo e com baixa dívida, o que permite que eles aguentem o preço baixo e o “sofrimento”.

No caso da Rússia, explica Midgley, ela não pode suportar por muito tempo uma guerra de preços.

 

Um problema desde 2014

Os eventos que se desenrolam são uma reminiscência de 2014, quando a Arábia Saudita, a Rússia e os EUA competiram por participação de mercado na indústria do petróleo. À medida que a produção aumentava, os preços caíam – e alguns veem os preços voltando a esses mínimo.

De acordo com a reportagem da CNBC, o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) tem reservas substanciais em moeda estrangeira e dessa maneira, os países do Oriente Médio podem suportar um período mais longo de preços baixos.

Diante desse cenário, Ryan Lemand, diretor executivo da ADS Investment Solutions, disse que o motivo de preocupação não são os países do Oriente Médio, mas sim os outros e principalmente a Rússia, “que não sustenta isso por muito tempo”, afirma Lemand.

“Isso não vai durar muito tempo para os concorrentes do GCC. Não estou preocupado com o GCC, estaria mais preocupado com os outros”, finalizou Lemand.