A Lógica do Cisne Negro: os ensinamentos de Nassim Taleb

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Divulgação

A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Taleb, fala sobre as consequências trazidas por eventos aleatórios e inesperados. Na verdade, o livro aborda mais especificamente a armadilha que é darmos mais importância para o que conhecemos, ao invés de nos prepararmos para o imprevisível.

A princípio, isso pode soar estranho, afinal a humanidade está sempre em busca de novos conhecimentos, não é mesmo? Mas, ao analisarmos a teoria de Taleb, percebemos que faz todo o sentido, e desconsiderá-la induz a grandes erros.

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A seguir, saiba mais sobre Nassim Taleb, e entenda por que a lógica do Cisne Negro é tão importante, inclusive para o mercado financeiro. Continue a leitura e confira!

Quem é Nassim Taleb?

Nassim Nicholas Taleb, nascido em 1960, é um norte-americano com ascendência libanesa, que contou com uma educação privilegiada.

Quando criança, estudou em um colégio francês em Beirute. Posteriormente, graduou-se e fez mestrado em Matemática pela Universidade de Paris e, em seguida, concluiu MBA na Universidade da Pensilvânia. Por fim, tornou-se PhD em Administração, novamente pela Universidade de Paris.

Taleb trabalhou alguns anos como trader de derivativos na bolsa de Chicago. Porém, desde 2006 passou a se dedicar exclusivamente à vida acadêmica, com estudos focados na improbabilidade e na incerteza.

A Lógica do Cisne Negro

Antes de falarmos sobre o livro, cabe um esclarecimento sobre a analogia que Taleb utiliza para explicar a sua teoria.

Antigamente, acreditava-se que os cisnes eram todos brancos. Isso durou até a descoberta da Austrália, onde a ave negra foi encontrada pela primeira vez.

Dessa maneira, a expressão Cisne Negro foi cunhada por Taleb para se referir ao que ignoramos por pura falta de conhecimento. O fato de o mundo inteiro acreditar que só existia cisnes brancos mostra como o aprendizado é frágil e limitado quando ele é feito só por meio de observações e experiências.

Essa lógica vale para tudo na história da humanidade. Ao tentarmos explicar eventos aleatórios de forma racional, formam-se desafios lógicos que não somos capazes de solucionar. No livro, Taleb mostra nossas falhas cognitivas e o quanto nosso julgamento está comprometido. Para ele, em vez de ignorarmos o desconhecido e o improvável, deveríamos utilizar a nossa inteligência para tirarmos o melhor proveito disso. Por isso, ele se refere ao evento do Cisne Negro como uma armadilha lógica.

Mediocristão e extremistão

No livro, Nassim Taleb utiliza dois conceitos para mostrar o efeito do Cisne Negro quando tiramos conclusões baseadas na observação de médias. Nesse sentido, o “mediocristão” está associado a eventos médios, e o “extremistão”, a fatos extremos.

Imagine analisar a estatura das pessoas que vivem em uma determinada região. Mesmo que existam pessoas mais altas ou mais baixas, a diferença de estatura não fará com que a média sofra grandes alterações. Esse é um exemplo de “mediocristão”.

Por outro lado, pense em fazer uma média do saldo bancário dessas mesmas pessoas. Se, por acaso, houver algum milionário entre elas, essa média ficará completamente distorcida. Esse é o “extremistão”, o ambiente no qual surge o Cisne Negro.

Ao utilizar esses dois exemplos, o autor critica os modelos de análise da realidade que consideram apenas os eventos médios. Isso porque o que é “fora da curva” está justamente no extremistão.

O terceto da opacidade

Outro conceito interessante que o autor nos traz diz respeito às reações da mente humana. Segundo ele, acontece três males quando entramos em contato com a história:

1 – A ilusão da compreensão

Em determinadas situações, é como se todos achassem que já sabem o que está acontecendo em um mundo. No entanto, o mundo é muito mais complicado e aleatório do que parece.

2 – A distorção retrospectiva

Isso ocorre quando falamos sobre alguns assuntos depois de eles acontecerem. Nesse caso, a história parece sempre mais clara e organizada nos livros do que foi na realidade.

3 – A supervalorização da informação factual

Em outras palavras, é quando se valoriza demais os fatos e há carência de estudo e de conhecimento profundo. Ou seja, quando unimos esses três aspectos, que Taleb chamou de “terceto da opacidade”, concluímos que ninguém tem certeza sobre o que está acontecendo de fato.

E como aplicar a lógica do Cisne Negro na prática?

A lógica do Cisne Negro nos mostra a importância de estarmos abertos a resultados que não foram planejados. É somente dessa forma que poderemos tirar proveito dos Cisnes Negros que aparecem.

Nesse sentido, Taleb diz que o ideal é dar prioridade não ao que se acredita que vá acontecer, mas sim ao que pode causar maior prejuízo. Por exemplo, se você investe em ações, deve sempre se preocupar primeiro com cenários extremos do que pensar naqueles com risco moderado.

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