Pesquisa Mensal do Comércio: o que está por trás destes dados?

Ana Paula Schuster
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução/Unsplash

A Pesquisa Mensal do Comércio revela um panorama sobre as vendas no varejo. Nesse sentido, tanto o desempenho dos empreendedores e comerciantes como o poder de consumo dos cidadãos são levados em conta na análise.

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Esse é um indicador pouco conhecido pelos cidadãos brasileiros. No entanto, está diretamente envolvido com suas vidas pessoais. Por isso, é crucial a sua compreensão para entender a situação econômica do país.

O que é a Pesquisa Mensal do Comércio

A Pesquisa Mensal do Comércio mostra evidências sobre o comportamento conjuntural do comércio varejista no Brasil. O principal indicador analisado no processo é a renda bruta de revenda nas empresas formais com mais de 20 funcionários.

Todos os dados são coletados a partir de um questionário formulado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os principais fatores que são levados em conta são:

  • Receita bruta de revenda;
  • Índice de Comércio Varejista;
  • Índice de Comércio Varejista Ampliado.

Além disso, há outras subdivisões que especificam o tipo de produto que é vendido pelas empresas. Assim, existem as seguintes classificações nas pesquisas:

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  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos;
  • Equipamentos e materiais para escritório, comunicação e informática;
  • Livros, jornais, revistas e papelaria;
  • Material de Construção;
  • Veículos, motocicletas, partes e peças.

Dados recentes sobre a Pesquisa Mensal do Comércio

A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) apurou que em abril de 2021, houve avanço de 1,8% nas vendas, ante recuo de 1,1% em março e duas outras quedas em fevereiro e janeiro.

A PMC mostra também que a queda de 0,2% em janeiro de 2021 foi uma consequência do fim do auxílio emergencial, pois isso diminuiu o poder de compra das famílias no fim de 2020.

Em relação ao varejo ampliado, que inclui materiais de construção e automóveis, houve uma queda de 2,1% de dezembro para janeiro de 2020.

Metodologia empregada na Pesquisa Mensal do Comércio

A Pesquisa Mensal do Comércio se baseia em uma amostragem probabilística em todas as unidades federativas, tendo a empresa como a principal unidade de pesquisa. Todos os cálculos são feitos pelo software X12 ARIMA, do US Census Bureau.

Os principais temas abordados são o comércio e as estatísticas econômicas setoriais. Todas as informações são coletadas a partir de um questionário promovido pelo IBGE, voltado para empresas com CNPJ e mais de 20 funcionários.

Há a estratificação dos cadastros das empresas em três estratos. São eles:

  • Gerencial (G): estratos formados pelas empresas que atuam em mais de uma UF;
  • Certo (C): empresas grandes que atuam em uma única UF;
  • Amostrado (A): pequenas e médias empresas que atuam em uma única UF.

Todas as empresas dos estratos G e C foram incluídas no estudo. Porém, os Amostrados tiveram as empresas selecionadas por meio de amostragem aleatória simples sem reposição.

Em cada Unidade Federativa, há diferentes dimensionamentos e independência entre cada Pesquisa Mensal do Comércio. Isto é, cada UF tem a sua pesquisa para obter uma maior precisão e melhor direcionamento para os objetivos específicos.

Para selecionar as amostras, são atribuídos diferentes pesos para cada empresa. Em seguida, há uma nova atribuição de pesos, permanecendo com este até que haja todas as correções dos erros.

Após estas etapas, na expansão da amostra da PMC, há o uso do estimador simples, a fim de serem obtidas todas as informações sobre a variável investigada.

Relevância da Pesquisa Mensal do Comércio para o mercado

Considerando que o principal objetivo da Pesquisa Mensal do Comércio é refletir o comportamento do comércio varejista no Brasil, pode-se dizer que há uma enorme importância dos dados mostrados para o mercado.

Tendo o setor de comércio e serviços como principal empregador, o Brasil passou por grandes dificuldades econômicas durante a pandemia da Covid-19. Isso porque estes foram justamente os setores mais impactados pelo isolamento social.

Importante também ressaltar o impacto desse setor na bolsa de valores. O crescimento de 13,9% nas vendas do varejo entre abril e maio de 2020 gerou uma alta na pontuação da bolsa no dia 8/7, chegando a 99,7 mil pontos após a abertura do pregão.

Outro fator importante é a relação direta da PMC com a ótica da demanda abordada pelo Produto Interno Bruto (PIB), pois o crescimento do comércio significa que a demanda cresceu, gerando assim mais estímulo para a economia do país.

A relação entre a Pesquisa Mensal do Comércio e o PIB

A correlação entre as variações trimestrais da Pesquisa Mensal do Comércio e do PIB terciário foi de 70% em 2019, com os valores corrigidos pela sazonalidade. Isso mostra que boa parte das riquezas do Brasil são geradas pelo comércio.

É importante também ressaltar a correlação existente entre o PMC e o consumo das famílias medido pelo PIB. A demanda por determinados produtos do comércio é mostrada por ambos os indicadores, pela chamada “óptica da demanda”.

De 2018 para 2019, a Pesquisa Mensal do Comércio apontou crescimento de 0,9% do comércio varejista. Esse resultado é indicativo de uma aceleração dos serviços no PIB, que correspondem a 65% do valor.

Portanto, a PMC tem um papel fundamental para verificar o comportamento conjuntural do comércio varejista, além de apresentar relação direta com o PIB e o consumo das famílias.

Origem e histórico da Pesquisa Mensal do Comércio

A PMC teve origem em 1995, abrangendo apenas a região metropolitana do Rio de Janeiro. No entanto, passou por diversas transformações na metodologia até chegar nos dias de hoje. Alguns anos importantes foram:

  • 1997: expansão da Pesquisa Mensal do Comércio para as regiões metropolitanas de Salvador e Recife;
  • 2000: revisão do Sistema de Índices do Comércio Varejista;
  • 2004: primeira revisão da PMC;
  • 2012: segunda revisão, com a implantação da estrutura de pesos do IPCA;
  • 2017: terceira revisão, tendo como o ano base 2014.

Mudanças de impacto em cada ano

Em 2004, houve uma mudança na base das pesquisas e a atualização de amostras das empresas pesquisadas. Além disso, a articulação entre a PMC e a PAC, com a primeira sendo uma sub amostra da segunda, foi acompanhada de diversas outras mudanças.

A expansão da Pesquisa Mensal do Comércio de forma que esta abrangesse materiais de construção e automóveis foi marcante nessa primeira revisão. Além disso, houve a criação das seguintes subdivisões:

  • Livros, jornais, revistas e papelaria;
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos;
  • Equipamentos e materiais para escritório, comunicação e informática.

Já em 2012 houve a implantação do CNAE 2.0 e dos pesos do IPCA para obter o volume de vendas no determinado período.

Em 2017 houve a atualização das amostras de informantes para 6157 empresas, a partir dos estratos Certo e Gerencial da PAC de 2014. Essa metodologia é usada até os dias de hoje na Pesquisa Mensal do Comércio.