A beira do colapso, empresas de ônibus acumulam prejuízo de R$ 2,5 bi

Felipe Alves
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Crédito: Cesar Brustolin/SMCS/Divulgação

Com as medidas de restrição e isolamento social em todo o país, as empresas de ônibus urbanos já perderam pelo menos R$ 2,5 bilhões só nos últimos 30 dias. Com várias cidades proibindo a circulação de ônibus, a oferta e a demanda estão baixas nas últimas semanas. A frota de veículos operando encolheu em média 25%. Mas a redução de volume de passageiros transportados foi de 80%, diz o Valor Econômico. Ou seja, redução de cerca de 32 milhões de viagens individuais por dia.

“Estamos numa situação de pré-colapso. O endividamento do setor já é alto. Muitas empresas não têm condições de tomar crédito novo e só oferecer capital de giro não vai adiantar”, disse Otávio Vieira da Cunha Filho, presidente da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos).

O levantamento foi feito pelas principais entidades representativas das empresas de ônibus. No fim de março, o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana, a ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e a NTU já pediam ao governo federal a destinação de R$ 2,5 bilhões por mês para a aquisição de créditos eletrônicos de passagens, enquanto perdurar a crise do Covid-19.

Segundo o presidente-executivo da NTU, Otávio Vieira da Cunha Filho, já foram contabilizadas 1.413 demissões. E também 2.023 suspensões de contrato de trabalho das empresas de ônibus. Uma viação faliu em Guarulhos (SP) e outras duas estão próximas de encerrar as atividades no Paraná.

 

Estragos podem ser maiores

Mas os estragos podem ser ainda maiores, já que a cada dia sem circular as empresas vão acumulando prejuízos. No fim de março, o Consórcio Guaicurus, em Campo Grande (MT), suspendeu por 15 dias os contratos de trabalho dos motoristas de ônibus. Em Curitiba (PR), a queda da demanda está estimada em 78%. Com isso, os prejuízos somam R$ 47,5 milhões. Suspensão de contratos de trabalho, redução da jornada e demissões têm sido as saídas das empresas.

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Na Grande Florianópolis, em Santa Catarina, o Setuf (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano da Grande Florianópolis) e o Sintraturb (sindicato de trabalhadores da categoria) anunciaram nesta terça-feira (21) a suspensão por dois meses dos contratos de trabalho de 4 mil trabalhadores das empresas de ônibus. O impacto é de R$ 15 milhões a cada 15 dias, prevê a prefeitura de Florianópolis.

 

Empresas de ônibus tentam verba da União

Desde março as entidades do setor conversam com a equipe econômica do governo federal para encontrar uma saída.

O pedido de R$ 2,5 bilhões seriam para as empresas de ônibus urbanos recomporem o caixa. Assim, as passagens poderiam ser usadas pelos inscritos no Cadastro Único de programas sociais do governo. As entidades, apoiadas pela Frente Nacional de Prefeitos (FNP), consideram o valor de R$2,5 bilhões necessário para equilibrar custos e receitas no setor e para manter em funcionamento mínimo do transporte público por ônibus.

“No pleito entregue ao governo federal, o setor reivindica apoio para pagar pessoal (folha de pagamento), pagar combustível e não deixar o serviço sofrer solução de continuidade”, diz Otávio Cunha, da NTU. Mas há também outro pedido ao governo: fornecimento de óleo diesel pelas distribuidoras, a preço de custo, para as empresas.