7 dicas para você proteger sua carteira de investimentos

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Crédito: Pixabay

Um dos principais erros cometidos por alguns investidores é pensar que cenários favoráveis podem garantir a segurança futura dos investimentos.

Isso porque a economia é repleta de eventos imprevisíveis, que afetam em cheio o mundo das finanças. Logo, para não ter surpresas com o vai e vem do mercado, é fundamental saber como proteger o patrimônio.

Pensando nisso, preparamos 7 dicas para lhe ajudar a resguardar o valor dos seus investimentos. Confira!

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Tenha sempre ativos de liquidez imediata

Essa dica é a mais simples, e uma das mais importantes: tenha sempre dinheiro em caixa ou em aplicações de liquidez imediata!

Isso é fundamental por dois motivos. Em primeiro lugar, recursos disponíveis garantem a sua reserva de emergência. Dessa forma, em momentos urgentes, você estará respaldado e não precisará sacrificar o rendimento de aplicações de prazos mais longos.

Além disso, com dinheiro em caixa, você consegue aproveitar boas oportunidades de negócios.

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Por exemplo, o dólar tem caído nos últimos dias? As ações de determinada empresa estão com preços atrativos? Então, talvez seja uma boa ideia você adquirir esses ativos. Mas só conseguirá fazer isso se tiver dinheiro em caixa.

Diversifique os seus investimentos

O segundo passo para proteger os investimentos é diversificá-los. Dessa maneira, você conseguirá potencializar a valorização de sua carteira ao mesmo tempo que diminuirá os riscos das aplicações.

Para isso, é necessário que o seu portfólio esteja bem distribuído entre as duas categorias de ativos: renda fixa e renda variável. Nesse sentido, a proporção de recursos alocados em cada uma delas dependerá do seu perfil e dos seus objetivos.

Por um lado, quem busca resultados mais previsíveis, terá preferência por aplicações tradicionais de renda fixa, como CDBs e Tesouro Direto, por exemplo.

Em contrapartida, caso se deseje correr mais risco em troca de maior rentabilidade, ações, fundos multimercado e derivativos podem trazer bons resultados.

Observe a correlação entre os seus investimentos

A correlação entre as aplicações é outro fator que merece muita atenção do investidor.

Para fins de proteção dos investimentos, ela deve ser negativa. Isso significa ter ativos na carteira que se movem em direções opostas.

Por exemplo, um CDB e um fundo DI têm correlação positiva, pois ambos possuem o CDI como referência. Isso significa que a queda do CDI fará com que os rendimentos dos dois investimentos também diminuam.

Por outro lado, normalmente ações e moeda estrangeira possuem correlação negativa. Logo, quando um cai, o outro tende a subir.

O motivo é simples: quando o mercado nacional está instável, isso afeta as empresas e, consequentemente, prejudica o mercado acionário. Desse modo, como forma de proteção, os recursos começam a migrar para ativos em moeda estrangeira.

Consequentemente, essa fuga de recursos locais acaba ocasionando a queda da bolsa e a valorização de investimentos ligados a ativos internacionais.

Essa é a correlação negativa. Ou seja, movimentos opostos de ativos diluem o risco e equilibram a rentabilidade do portfólio.

Invista em ativos em moeda estrangeira

Outra forma de diversificar e, portanto, proteger o patrimônio, é não deixá-lo totalmente exposto à moeda de um único pais. Além de proteger o dinheiro da inflação, os investimentos em moeda estrangeira também diluem o risco da economia local.

Nesse sentido, há diferentes formas de investimentos. A mais conhecida é adquirir diretamente a moeda.

Porém, existem outras maneiras que podem proporcionar mais segurança e, também, maiores rentabilidades. Um exemplo disso são os fundos cambiais.

Nesse caso, no lugar de comprar e vender a moeda em si, o investidor aplica em um fundo de investimento indexado a moedas estrangeiras. Desse modo, o seu dinheiro estará mais seguro e terá a gestão de profissionais.

Além dos fundos, outra forma de se investir em moeda estrangeira é diretamente em empresas no exterior. Para isso, há alternativa interessantes e que vêm se tornando mais populares, como os BDRs.

Esses títulos, emitidos no Brasil, representam ações de empresas no exterior. Logo, ao adquiri-los, o investidor participa indiretamente da companhia lá fora, e tem direito aos dividendos distribuídos por ela.

O ouro sempre é uma boa alternativa de proteção

Historicamente, o ouro é o investimento mais lembrado em momentos de turbulências políticas e econômicas. Isso porque não existe nenhum outro ativo no mundo que tenha mantido o seu valor por tantas eras.

Por isso, investir no metal é uma das melhores opções quando se fala em proteger o patrimônio.

No caso do ouro, pode-se investir diretamente no ativo. Para isso, pode-se comprar o metal em instituições autorizadas pelo Banco Central e pela CVM.

Porém, essa não é a forma mais prática, nem a mais segura, de investir em ouro. Nesse sentido, existem fundos que acompanham a variação do metal, e são bem mais acessíveis para os investidores em geral. Além disso, possuem mais liquidez do que o metal físico e têm a gestão de profissionais, o aumenta as chances de maiores ganhos.

Por último, também é possível investir em ouro através de derivativos chamados contratos futuros. Esses contratos são um acordo entre as partes com um preço pré-estabelecido para uma negociação futura.

Porém é bom lembrar essa modalidade é indicada para o investidor que já tem um bom conhecimento sobre o mercado futuro. Caso contrário, o risco dessas aplicações poderá ser muito grande.

Utilize opções para proteger e rentabilizar seus investimentos

Antes de mais nada, vamos entender o que são as opções.

Esses títulos também são derivativos, e servem para dar ao seu detentor o direito de comprar ou de vender um ativo por um valor determinado numa data certa.

Nesse sentido, as opções podem ser de duas formas: as de compra (call) e as de venda (put).

Se o investidor compra uma call, é porque está apostando na alta do mercado.

Digamos que ele pense que as ações da Vale subirão nos próximos meses. Porém, ele não pode comprá-las hoje, mas deseja fazer isso daqui a 30 dias.

Logo, se ele adquirir uma call, terá direito a, daqui a um mês, comprar a ação da Vale pelo preço acordado no momento da compra da opção, mesmo que ela esteja mais cara na ocasião.

Por outro lado, quando a tendência é de queda nos preços, é o momento de comprar uma put.

Vejamos outro exemplo: esse mesmo investidor acha que uma ação de sua carteira pode estar sobrevalorizada. Nessa situação, ele poderá comprar uma put, que funcionará como um seguro contra a desvalorização da ação.

Isso porque, se o preço do papel cair, ele terá o direito de vendê-lo pelo valor que negociou no momento da compra da put.

Porém, como já vimos, para operar com derivativos é importante que o investidor tenha conhecimento desse mercado. Por isso, uma assessoria financeira é muito adequada nessas ocasiões.

Faça o rebalanceamento da carteira

Por fim, de tempos em tempos, é muito importante que se faça a reavaliação do portfólio. Isso porque, por melhor que esteja a distribuição dos ativos, fatos novos na economia podem surgir a qualquer instante. E, como vimos, não há como prever determinados acontecimentos.

E como fazer o rebalanceamento da carteira?

Nesse caso, o investidor deve vender os ativos que já valorizaram conforme as expectativas e adquirir outros que ainda têm espaço para rentabilizar. Ao fazer isso, é possível se desfazer de investimentos antes que eles se depreciem. Ao mesmo tempo, cria-se espaço para adquirir outros com potencial de com potencial de valorização.

Basicamente, trata-se de vender na alta e comprar na baixa. Entretanto, para que seja eficiente, o rebalanceamento deve ser feito no momento certo, com a técnica.

Nesse sentido, ele pode ser feito de duas forma principais. Uma delas é a estratégia de tempo, ou seja o investidor define com que frequência será reavaliada a carteira.

A segunda maneira leva em consideração, não o tempo, mas a variação percentual dos ativos.

Por exemplo: um investidor montou um portfólio com 60% em ativos de renda fixa e 40% em renda variável. Todavia, com o passar do tempo, as taxas de juros caíram bastante, e isso fez com que suas ações aumentassem em representatividade no portfólio. Dessa forma, a renda variável passou a representar 60% da carteira, em lugar dos 40% da estratégia original.

Nessa situação, se desejar manter os percentuais originais, o investidor deverá rebalancear a carteira. Isso fará com que ele se mantenha fiel à estratégia inicial, ao mesmo tempo que controlará a relação risco e rentabilidade de suas aplicações.