5G: EUA se dispõem a injetar até US$ 1 bi para barrar Huawei no Brasil

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução / Rd1.com

O acordo firmado entre o Banco de Exportação e Importação dos EUA (EximBank) e o Ministério da Economia pode ter, nas entrelinhas, o futuro da 5G no País.

De acordo com o contrato, os Estados Unidos estariam dispostos a injetar até US$ 1 bilhão no País para financiar projetos, entre eles o da nova tecnologia.

O interesse pela 5G, no entanto, também poderia definir o futuro de uma das gigantes chinesas no setor – a Huawei – banida dos Estados Unidos pelo presidente Donald Trmp.

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Os norte-americanos têm pressionado internacionalmente para que a tecnologia da empresa asiática não seja utilizada no desenvolvimento das redes de 5G, sob o argumento de que ela representaria um risco de segurança aos países.

O documento foi assinado em cerimônia no Palácio do Itamaraty pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pela presidente do Eximbank, Kimberly Reed.

Além deles, participaram da solenidade o presidente Jair Bolsonaro e o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien.

Segundo o conselheiro, o memorando de entendimento é um acordo como “nunca antes visto, um acordo comercial de ponta que sela parceria entre Brasil e Estados Unidos”.

De acordo com O’Brien, o financiamento de US$ 1 bilhão terá como destino, “especialmente”, a área de telecomunicações e o 5G, “a moderna nova rede de telecomunicações que o Brasil terá em breve”.

Diretor do conselho de segurança cita “preocupação” com 5G

Joshua Hodges, diretor para o Hemisfério Ocidental no Conselho de Segurança Nacional, endossou o discurso do norte-americano Robert O’Brien, e afirmou que uma possível escolha pela Huawei para implementar o 5G poderia fazer com que os dados brasileiros fossem “decifrados” pela China.

“É importante ter transparência, o que a China e a Huawei não apoiam. Veja o que eles fizeram com Hong Kong. Os Estados Unidos estão preocupados em como os chineses vão usar os dados e a tecnologia para assuntos de estado, não para os usuários dessa tecnologia”, completou.

Segundo Hodges, os chineses não são os únicos especialistas em tecnologia 5G. Por conta disso, a aposta mais correta seria justamente nos norte-americanos.

“Há um equívoco de que não existe alternativa, não é o caso. Há competição lá fora, está disponível e os Estados Unidos estão prontos para financiar isso” .

“Se vocês terminarem com a Huawei na sua rede 5G, haverá ‘backdoors’ e a capacidade de decifrar quase todos os dados que são gerados em qualquer lugar do Brasil, seja pelo governo, na frente de segurança nacional, seja por empresas privadas em suas habilidades de inovar e desenvolver novos produtos”, avisou.

“Diferentemente da China, não estamos aqui com ameaças, estamos oferecendo alternativas. Não estamos dizendo ‘não façam negócios com a China’, queremos encontrar outros parceiros para o Brasil e fortalecer nossa aliança com os brasileiros”, concluiu.

Leilão segue com data indefinida

O Brasil ainda não estipulou a data para a realização do leilão da tecnologia 5G, nem confirmou se também banirá a chinesa Huawei da disputa, mas a previsão é de que tudo fique para o segundo semestre de 2021.

Principais interessadas no assunto, as autoridades dos EUA afirmaram que o subsídio às empresas de telecomunicações podem vir tanto de fundo do Banco de Importação e Exportação, que tem US$ 135 bilhões disponíveis para financiamento e aquisição de equipamentos e tecnologias de telecomunicação, além de outros US$ 60 bilhões vindos da Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional.

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G. Em ambiente controlado, as redes 5G podem ter velocidades de até 1 gigabit por segundo (Gbps).

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