5G: Embaixador dos EUA pede que Brasil escolha fornecedor de confiança

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Twitter

A “guerra fria” entre China e Estados Unidos ganhou um novo capítulo em relação à implementação da tecnologia 5G no Brasil.

Em entrevista para a CNN, o embaixador norte-americano Todd Chapman deu uma declaração, em tom de alerta, quando questionado sobre o que espera do futuro leilão da 5G no Brasil.

Segundo Chapman, os norte-americanos querem que a nova tecnologia seja distribuída por “fornecedores realmente de confiança”.

“Esperamos que o Brasil realmente tenha a oportunidade de ser parte da rede limpa”, disparou o embaixador.

Huawei no centro da “briga” pela tecnologia 5G

A chinesa Huawei, que já foi motivo de confusão com o presidente Donald Trump nos Estados Unidos, está no centro da briga pela tecnologia 5G.

Ao ser questionado sobre o que os EUA teriam a oferecer para o Brasil em troca do não-fechamento do acordo com a Huawei, Chapman disparou:

“Oferecemos um tipo de financiamento para ajudar os operadores que querem comprar de fornecedores confiáveis. Nós queremos ser bons aliados do Brasil nesse processo”.

Segundo o embaixador, os EUA “estão enviando informações ao governo brasileiro sobre como a Huawei está funcionando no mundo”.

Apesar das declarações em tom de ameaça, Chapman assegurou que o governo norte-americano respeitará a decisão final do Brasil a respeito do assunto.

Burocracia pode atrasar implementação

Segundo especialistas do setor de telecomunicações, a burocracia brasileira será um obstáculo para a implantação da quinta geração de internet móvel no país.

Junto com o alerta, eles fizeram um apelo para que as autoridades façam mudanças legais que auxiliem no processo de viabilização e distribuição da tecnologia, alegando que há, atualmente, excesso de leis e carga tributária, o que pode retardar a fixação da infraestrutura necessária.

Trâmites legais

O superintendente de Planejamento e Regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Nilo Pasquali, garantiu que representantes da agência regulamentadora já estão conversando diretamente com deputados estaduais e vereadores.

A ideia é alertar as autoridades sobre a importância do legislativo para agilizar os processos de licenciamento de nova infraestrutura de internet móvel que viabilizem o 5G no Brasil.

“Ainda padecemos com muitas legislações locais bastante restritivas, e muito diferentes [entre si], o que dificulta a obtenção de licenças necessárias à instalação da infraestrutura de rede móvel”, comentou o superintendente.

Infraestrutura de internet

Segundo Pasquali, para inserir a tecnologia do 5G no Brasil, será necessário um adensamento muito maior na infraestrutura do que o feito para o 4G, que já enfrentou dificuldades em sua construção.

“Acho que temos uma série de dificuldades para a implementação de infraestrutura no Brasil. Isto é um fato e não é um problema apenas para o 5G. Padecemos deste problema também na implementação do 4G”, disse o superintendente de Planejamento e Regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Nilo Pasquali.

Ele explicou que a tecnologia não depende apenas das torres convencionais, mas também de infraestrutura de transmissão em postes de energias e outros tipos de espaços.

O responsável pela área técnica de Tecnologia da TIM, Leonardo Capdeville, comparou a situação operacional da empresa na Itália com a do Brasil, mostrando a defasagem enfrentada aqui.

Segundo ele, a operadora conta com cerca de 18 mil antenas espalhadas por toda Itália, cuja área corresponde a pouco mais da metade do território do estado de Minas Gerais.
Já no Brasil, cada empresa dispõe de, em média, 19 mil antenas, para atender a todo o território nacional.

De acordo com a Agência Brasil, a estimativa é de que existem pouco mais de 100 mil antenas de telefonia e internet móvel em operação em território brasileiro.

Regiões mais afastadas são as mais prejudicadas

Com a pouca capacidade de oferta de internet móvel e serviços de telefonia, os grandes centros são favorecidos em detrimento a regiões menos populosas, mais distantes e mais carentes.

“Alguma coisa não está certa”, apontou Capdeville, que, segundo a Agência, não foi contestado pelos representantes da Anatel e do Ministério das Comunicações.

O representante da TIM disse que, para cobrirem toda a extensão territorial do Brasil, atendendo os 210 milhões de brasileiros, será necessário um aumento expressivo no número de antenas, tanto para o 4G, como para o 5G.

Ele mencionou ainda as dificuldades que envolvem a distribuição de fibra ótica, infraestrutura de internet fixa que oferece melhor transmissão dos dados digitais.

Segundo ele, um estudo recente apontou que, até então, nenhuma operadora consegue levar a fibra óptica a mil cidades brasileiras.

“Não estamos falando da casa da pessoa, mas sim do município. Temos que chegar a estes rincões e aumentar a capilaridade da fibra também nas áreas urbanas a fim de atender às múltiplas antenas 5G que vão ter que vir”, concluiu Capdeville.

Posicionamento do governo sobre o 5G no Brasil

O Coordenador-geral de Infraestrutura de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Otto Solino, garantiu que o governo já está trabalhando na publicação de um decreto que solucione os problemas da infraestrutura de telecomunicações.

Ainda durante a transmissão, ele disse que a proposta que melhorará a transmissão de internet no país vem sendo discutido há meses, por várias pastas e já foi encaminhada à Casa Civil e deve ser publicado em breve. O texto citaria o direito de passagem e o uso de postes.

“Ele vai tratar do direito de passagem, reforçando o entendimento do DNIT de que o direito de passagem vale tanto para zonas urbanas, quanto para as rurais. E vai estimular a implantação conjunta de infraestrutura de telecomunicações em obras de interesse público, como rodovias, ferrovias, transmissão de energia elétrica e outras”, acrescentou Solino.

O representante do ministério lembrou ainda que a Lei Geral de Antenas, de 2015, já estabelece que a instalação de infraestrutura de rede de telecomunicações de pequeno porte em áreas urbanas não depende de licenças, como é o caso das futuras estações.

“A Lei Geral das Antenas já prevê um prazo de 60 dias para o Poder Público responder às solicitações para implantação de infraestrutura de telecomunicações. Por outro lado, ela não estabeleceu nenhuma consequência. O decreto vai trazer exatamente estas consequências, dentre elas, a autorização tácita [automática], caso o prazo não seja respeitado”, disse Solino.

“E com a regulamentação da infraestrutura de pequeno porte, poderão ser instaladas sem qualquer licença, desde que obedecidos os critérios legais, e com a devida autorização do local onde esta estrutura for instalada”, completou.

Leia tambémE-commerce: vendas sobem 72,6% na 1ª metade de setembro