Análises e Previsões

1º de abril: A mentira, o blefe e a política

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O Brasil não é para principiantes

Nascida em São Francisco, Califórnia, Koko foi uma gorila cativa treinada desde seu primeiro ano para comunicar-se a partir da língua de sinais americana. Os estudos foram comandados pela Dra. Penny Patterson e outros cientistas na Universidade de Stanford.

Patterson avaliou com o tempo que o vocabulário de Koko compreendia aproximadamente 1.000 sinais e que a mesma era capaz de entender cerca de 2.000 palavras em inglês.

Após ser confrontada por seus treinadores depois de uma explosão de raiva no qual ela arrancou uma pia de aço do lugar onde estava presa, Koko sinalizou, na Língua de Sinais Americana, “o gato fez isso “ apontando para seu pequeno gato de estimação.

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Fonte: Hypescience

Não está claro se isso foi uma piada ou uma tentativa genuína de culpar seu pequeno bicho de estimação, o fato é que o comportamento da gorila escancarou o óbvio: A capacidade dos hominídeos de mentir é percebida cedo e quase universalmente no seu desenvolvimento.


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Mesmo admitindo quase que consensualmente que a mentira é de fato um ato de desonestidade, um estudo da Universidade de Massachusetts (sim, sempre ela!) afirma que em média, mentimos uma vez a cada dez minutos de conversa.

Fique tranquilo, este texto será bem mais breve!

O primo-irmão da mentira

Os amantes do poker costumam dizer que o blefe (uma espécie de primo-irmão da mentira) é imprescindível e que o bom jogador tem que saber blefar.

Quem faz ou vive da política também.

Quem blefa, o faz fingindo ter ótimas cartas na mão. Trata-se, portanto, de uma leve espécie de trapaça, já que blefar é quase uma regra do jogo.

blefe - 1º de abril: A mentira, o blefe e a política

Blefar, quando bem feito, não deixa de ser uma espécie de mérito. Bom para quem tem talento, pior para quem não consegue.

Mas há um porém (sempre há): O blefe aposta na credulidade alheia com a qual o blefador negocia sua posição como se fosse o “dono da verdade”, mesmo que essa, na prática, não exista.

Trata-se da posição de controle sobre o adversário – o otário em jogo – mesmo que essa posição seja temporária e o blefador possa ao fim da manobra se dar muito mal.

A magia do poker (e da política, é claro) consiste justamente em empoderar até mesmo os otários. O Blefe e a mentira, cada qual no seu quadrado, iguala todos num só rebanho de condenados, como diria Ariano Suassuna.

No verdejante carpete de Brasília, governo e oposição duelam pela Reforma da Previdência. Jair Bolsonaro e sua intrépida trupe, chegaram confiantes à mesa com seus 49 milhões de votos. Bolsonaro frequentou-a pelos últimos 27 anos, mas o blefe nunca foi o seu forte.

Paulo Guedes ao ameaçar deixar o cargo, caso os congressistas não aprovem o texto da reforma, ensaia um blefe, ainda que tímido.

Rodrigo Maia, seguindo os passos de seu antecessor (o mestre dos mestres, Eduardo Cunha), fala com a tranquilidade de quem tem em mãos, um Royal Straight Flush. A recente prisão de Temer e Moreira Franco, no entanto, faz tudo parecer um enorme blefe a quem não resta outra opção.

Bolsonaro Rodrigo Maia Paulo Guedes Onyx Lorenzoni
Fonte: Site do Deputado Federal Nereu Crispim

O atraso no andamento da PEC (somada à imensurável capacidade de se atrapalhar) já custou fichas demais em tão pouco tempo: Na comparação com janeiro, a aprovação do governo caiu 15 pontos. Era de 49% no primeiro mês da gestão, contra os 34% atuais.

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Fonte: IBOPE Intligência

Acomodar-se face o expressivo número de fichas na mesa, é um erro grave. Cabe lembrar que outros jogadores em iguais condições (apoio expressivo da população), já deixaram este mesmo jogo com uma mão na frente e outra atrás. Cito os casos de Fernando Collor e mais longe ainda, Jânio Quadros.

Sobre política, poker e o Brasil como um todo, impõem-se a frase atribuída ao saudoso poeta e compositor Antonio Carlos Jobim:

O Brasil não é para principiantes.

 

Drops de mercado

Mão amiga na hora difícil

Segundo levantamento da consultoria Economática, os balanços de 2018 registraram um lucro 41,8% maior que no ano anterior. As 308 empresas de capital aberto lucraram R$ 177,5 bilhões, contra R$ 125,1 bi em 2017. Isso explica em parte a alta da bolsa no período. O investidor precifica as expectativas, mas também está de olho no lucro e nos dividendos.

Uma análise setorizada ajuda a explicar melhor o que aconteceu nesta lenta recuperação da economia. Bancos e empresas de energia elétrica puxam a fila.

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Créditos: Economática

Ficou tudo para 2020.

O otimismo em ver uma substancial retomada no volume dos negócios ainda em 2019 vem diminuindo gradativamente. Entre empresários, é cada vez mais crescente a sensação de que tudo ficará mesmo para o ano que vem.

Nem mesmo a aprovação da reforma previdenciária parece animar os empregadores, que culpam a incapacidade de articulação do governo como fator preponderante para a manutenção da insegurança quanto aos investimentos em seus respectivos negócios.

O banco Itaú revelou em recente relatório, que reduziu sua projeção para a alta do PIB em 2019, de 2,5% para 2%.

Chupa Argentina

As mesmas razões (incertezas motivadas pela rusga entre executivo x legislativo) fizeram o real ser a segunda moeda que mais se desvalorizou em todo o mundo, em março. A moeda brasileira só não teve desempenho pior que o peso argentino, que sofre com a forte recessão iniciada em 2018.

Dados do Estadão/Broadcast mostram que o dólar subiu 4,84% ante o real em março, considerando cotações da última sexta-feira (29).

Filipe Teixeira

Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.

É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.

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